Policiais penais anunciaram a redução de suas atividades para atuarem apenas em situações essenciais, reivindicando uma reunião com o Governo do Estado. Em consequência, as visitas na Penitenciária de Alcaçuz foram suspensas nesta segunda-feira (3).
Vilma Batista, presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Norte (Sindppen RN), explicou que os agentes mantêm apenas atividades relativas à alimentação, assistência jurídica e hospitalar dos detentos. O objetivo da ação é pressionar o governo a convocar um Grupo de Gerenciamento de Crise para apresentar as dificuldades que a categoria enfrenta.
Ela ressaltou que o sistema prisional está sobrecarregado, com déficit no número de agentes para garantir a contenção e o atendimento necessário aos detentos, cujo número aumentou. Sobre Alcaçuz, Vilma detalhou: "Não estamos conseguindo realizar todas as atividades exigidas nas unidades prisionais. Hoje, em Alcaçuz, mais de 11 presos no Pavilhão 4 passaram mal e mais de 14 necessitaram de atendimento. São 943 presos em um único pavilhão para um policial ordinário e três da área operacional."
De acordo com a presidente, a medida aplica-se apenas às duas penitenciárias do Complexo de Alcaçuz, mas poderá ser estendida a outras unidades caso o governo não atenda ao pedido da categoria. "Se não formos ouvidos, ampliaremos a ação para todas as unidades, pois enfrentam problemas semelhantes, com variações proporcionais. Não podemos esperar que ocorram mais mortes, rebeliões ou fugas para que os policiais sejam novamente responsabilizados", declarou.
Procurada pela Tribuna do Norte para comentar a garantia dos serviços na Penitenciária de Alcaçuz, a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) não confirmou um posicionamento oficial, mantendo o canal aberto para esclarecimentos.
Sobre a suspensão das visitas no Pavilhão 4, a Seap afirmou que a responsabilidade é dos policiais penais devido à mudança nas atividades. Informou ainda que a Diretoria-Geral da Polícia Penal (DGPP) "está adotando todas as medidas administrativas cabíveis".
A nota da Seap esclarece: "O Juiz(a) da Execução Penal é a autoridade competente para determinar a suspensão de visitas sociais nas unidades prisionais. A não realização das visitas nesta segunda-feira (3/ago) no Pavilhão 4 da Penitenciária de Alcaçuz decorre de ação promovida pelo Sindicato dos Policiais Penais que, sem determinação da DGPP, comprometeu a rotina e o acesso dos familiares.
A DGPP está adotando medidas administrativas cabíveis e comunicando o ocorrido aos órgãos competentes para as providências necessárias."
Créditos: Tribuna do Norte