União Europeia aprova acordo comercial com Mercosul após 25 anos de negociações

Economia

União Europeia aprova acordo comercial com Mercosul após 25 anos de negociações

Os países da União Europeia aprovaram, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul. Essa decisão abre caminho para a assinatura formal do tratado, prevista para 17 de janeiro.

Para que o acordo entre em vigor, ele ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos envolvidos. O tratado, fruto de mais de 25 anos de negociações, reflete mudanças políticas, econômicas e estratégicas tanto na América do Sul quanto na Europa.

O pacto prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral entre os blocos, além de estabelecer regras comuns para serviços e compras públicas.

As negociações começaram em 1991, após Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinarem o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul. A União Europeia passou a reconhecer o bloco como parceiro estratégico com peso político e econômico na região.

Em 1994, a ideia de um acordo formal entre os blocos ganhou força, enquanto a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), liderada pelos Estados Unidos, atraía atenção internacional. A UE buscava ampliar sua presença na América do Sul para contrabalançar a influência americana.

No ano seguinte, os blocos firmaram o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional, estabelecendo bases políticas, institucionais e econômicas, além de mecanismos para diálogo, cooperação técnica e incentivo a investimentos. As negociações comerciais começaram oficialmente em 1999, organizadas em três frentes: diálogo político, cooperação e livre comércio.

Desde o início, enfrentaram impasses, principalmente sobre subsídios agrícolas europeus e a abertura da indústria do Mercosul. Em 2004, as negociações passaram por um momento crítico, com críticas do Mercosul sobre o acesso restrito ao mercado agrícola europeu, e a UE questionando a resistência dos países sul-americanos à abertura industrial.

Entre 2004 e 2010, o processo esteve praticamente paralisado por divergências internas, políticas protecionistas na Europa e mudanças políticas na América do Sul.

O diálogo foi retomado com mais vigor em 2016, motivado pelo interesse europeu em acordos comerciais e pelas mudanças no comércio global. Nessa fase, foram definidos capítulos sobre tarifas, serviços, compras públicas, regras de origem e propriedade intelectual.

Em 2019, Mercosul e União Europeia anunciaram a conclusão técnica do acordo político, que previa a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral e regras comuns para serviços e compras públicas.

No entanto, resistências políticas e críticas ambientais em alguns países europeus impediram a ratificação imediata. Entre 2020 e 2022, a União Europeia passou a exigir compromissos ambientais mais rigorosos, relacionados ao combate ao desmatamento e à aplicação do Acordo de Paris.

Em 2023, foi apresentado um instrumento ambiental adicional. O Mercosul aceitou parte das propostas, mas criticou a possibilidade de sanções unilaterais.

O texto final foi consolidado em 2024, após revisão jurídica e articulação política. Em 2025, a aprovação enfrentou resistência de países europeus com setores agrícolas fortes, incluindo França, Polônia e Irlanda.

Por fim, em 2026, a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo, abrindo caminho para sua assinatura formal e para a criação da maior área de livre comércio do mundo.