A União Europeia e o Mercosul devem uma homenagem a Donald Trump pela aceleração do acordo de livre comércio entre os dois blocos, após cerca de 25 anos de negociações e frustrações.
Trump simboliza os riscos geopolíticos que prevaleceram sobre os desafios internos da Europa e da América do Sul, além das dificuldades de abrir e proteger seus mercados, especialmente no setor agrícola. Sua influência foi decisiva para unir Europa e Mercosul diante da ruptura do sistema internacional baseado em regras e da necessidade de enfrentar as potências China e Estados Unidos.
Ambos os países dessa rivalidade demonstram pouco interesse em regras globais, tornando o acordo entre UE e Mercosul mais um movimento estratégico do que meramente econômico, tentando formar blocos capazes de competir com esses dois gigantes.
Sob essa ótica, o valor estratégico do acordo supera seu impacto prático imediato, que ainda tardará para ser sentido, dada a necessidade de aprovação pelo Parlamento Europeu e negociações setoriais complexas em ambos os lados. Ainda assim, o governo Trump foi um alerta para europeus e sul-americanos ao tratar aliados e vizinhos como adversários ou subordinados.