O custo da energia elétrica no Rio Grande do Norte pode ser o diferencial principal do estado na disputa para sediar o novo supercomputador de alto desempenho do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Estima-se que o custo operacional no RN seja até dez vezes menor do que em outros estados. O RN compete com Rio de Janeiro (RJ) e Campinas (SP) para receber este equipamento avaliado em R$ 1,8 bilhão, que está entre os mais potentes do mundo.
A proposta do RN prevê a instalação do supercomputador no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba. Segundo Lahyre Rosado, secretário do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Sedec-RN), o preço atraente da energia elétrica é o fator determinante que torna o RN altamente competitivo.
"A operação de um supercomputador desse porte exige uma demanda contínua estimada em 5 MW. Como o RN é um dos maiores produtores nacionais de energia limpa, com matriz eólica e solar, possui excedente de produção e um sinal locacional favorável. Isso faz com que a tarifa para grandes consumidores seja muito inferior à dos grandes centros urbanos e industriais do país", explica Lahyre Rosado.
O Rio Grande do Norte concluiu todas as tratativas técnicas e legais de viabilidade junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A assessoria do MCTI informou à Tribuna do Norte que o projeto do supercomputador está em fase de estruturação técnica e administrativa, e que as informações oficiais serão divulgadas oportunamente pelos canais do Governo Federal.
Caso aprovado, o RN está totalmente estruturado e pronto para receber o equipamento, afirma o secretário da Sedec. Embora o Governo Federal ainda não tenha definido um prazo, a expectativa é que a decisão ocorra em breve.
A governadora Fátima Bezerra entregou uma carta de endosso às autoridades federais defendendo a descentralização tecnológica e a justiça regional para o Nordeste.
Samuel Xavier, coordenador do Núcleo de Processamento de Alto Desempenho (NPAD/UFRN), informou que devido ao defeso eleitoral, não deve haver decisões até o final deste período. Para ele, a chegada do supercomputador fortalecerá o parque tecnológico local, incluindo o Parque Metrópole e o PAX, comprovando a vocação e competência do estado para operar essa infraestrutura.
Além disso, segundo Xavier, a atração desse supercomputador trará também empresas que prestarão serviços para o data center nas áreas de energia elétrica, refrigeração e construção civil.
O coordenador ressaltou que a iniciativa não substituirá a sede atual do LNCC em Petrópolis (RJ), mas criará uma nova unidade nacional, reforçando a soberania tecnológica e diminuindo a dependência de plataformas estrangeiras.
O NPAD/UFRN atende mais de mil pesquisadores e cerca de um terço de seus recursos vem de fontes privadas, o que é requisito para a grande máquina do PBIA que deve atender demandas governamentais, acadêmicas e do setor privado.
A proposta da UFRN, integrada ao pleito do Governo do RN, também sugere que a vinda do supercomputador seja acompanhada da instalação de uma unidade do LNCC. Atualmente, o LNCC opera o Santos Dumont, maior supercomputador acadêmico do Brasil. A gestão do novo equipamento poderia ser feita em parceria entre NPAD e LNCC.
Embora a confirmação da destinação do equipamento ao RN ou da viabilidade da nova unidade do LNCC ainda não exista, essa sugestão consta oficialmente na avaliação do governo.
Créditos: Tribuna do Norte