Uma reunião realizada nesta segunda-feira (20) no Rio Grande do Norte reuniu representantes de instituições públicas, entidades da sociedade civil e do setor pesqueiro para discutir estratégias contra a ciguatera. O encontro foi organizado pela Secretaria da Agricultura, da Pecuária e da Pesca do RN (Sape) com o objetivo de integrar esforços para investigar casos de intoxicação alimentar causada por peixes contaminados, monitorar o ambiente, melhorar a comunicação entre órgãos e adotar medidas conjuntas.
Durante o evento, foi aprovada a criação de um Comitê de Acompanhamento da Ciguatera, que reunirá permanentemente diversas instituições para monitorar e combater a doença no estado. A composição e frequência das reuniões do comitê serão definidas futuramente.
A decisão foi motivada pelo aumento expressivo dos casos de intoxicação no RN, que já contabiliza 148 confirmações em 2026, superando em mais de 60% o total de 88 registros em 2025. A intoxicação resulta do consumo de peixes marinhos contaminados por ciguatoxinas, toxinas produzidas por microalgas e acumuladas na cadeia alimentar, principalmente em peixes de grande porte.
O comitê terá como principal função monitorar o cenário da doença, compartilhar informações e coordenar ações contínuas de prevenção e resposta no estado. A Sape, líder da iniciativa, reuniu representantes da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), da Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura (SFPA) do Ministério da Pesca, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), além de organizações civis e colônias de pescadores.
No encontro, foi enfatizada a importância de proteger a saúde da população, sem desconsiderar o valor social e econômico da pesca artesanal no estado. Os participantes destacaram a necessidade de atuação integrada, com base em critérios técnicos e científicos, envolvendo pesquisadores e órgãos das áreas de saúde, meio ambiente e representantes do setor pesqueiro.
Outras estratégias definidas incluem o avanço da rastreabilidade do pescado. Para isso, a Secretaria de Estado da Fazenda do Rio Grande do Norte (Sefaz/RN) será acompanhada na implementação da Nota Fiscal do Pescado, medida ainda em desenvolvimento que visa fortalecer a segurança da cadeia produtiva e aumentar a confiabilidade na comercialização do pescado.
Créditos: Tribuna do Norte