Rendimento dos 10% mais ricos é 13,8 vezes maior que dos 40% mais pobres em 2025

Economia

Rendimento dos 10% mais ricos é 13,8 vezes maior que dos 40% mais pobres em 2025

Em 2025, o rendimento médio mensal por pessoa dos 10% mais ricos do Brasil foi de R$ 9.117, o que representa 13,8 vezes o valor recebido pelos 40% mais pobres, cuja média foi de R$ 663. No ano anterior, essa relação era de 13,2 vezes.

Ainda que tenha aumentado, esse índice de 2025 é o segundo menor desde o início da série histórica em 2012, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE no Rio de Janeiro em 8 de maio.

Para calcular o rendimento, o IBGE considerou todas as fontes de renda das famílias, incluindo salários, bônus, aposentadoria, pensão alimentícia, benefícios sociais, bolsa de estudo, seguro-desemprego, aluguel e aplicações financeiras, dividindo o total pelo número de moradores do domicílio.

O aumento da diferença entre os mais ricos e os mais pobres de 2024 para 2025 ocorreu porque o rendimento dos 10% mais ricos cresceu 8,7% já descontada a inflação, enquanto o grupo dos 40% mais pobres teve alta de 4,7%.

Desde 2019, antes da pandemia de covid-19, os 40% mais pobres tiveram um aumento acumulado de 37,6% em seus rendimentos, contra 11,9% do grupo dos 10% mais ricos, percentual considerado "bastante abaixo" pelo IBGE em relação ao ganho das outras classes.

Considerando apenas os 10% mais pobres, houve expansão de 78,7% no rendimento médio mensal de 2019 a 2025, passando de R$ 150 para R$ 268.

O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes atribui essa redução da desigualdade nos últimos seis anos a avanços no mercado de trabalho e a programas sociais, destacando reajustes salariais mínimos e a expansão de benefícios governamentais.

Desde 2020, por conta da pandemia, o governo federal expandiu a abrangência e o valor do principal benefício social, o Bolsa Família, que em gestões anteriores foi denominado Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil. O IBGE também inclui programas sociais estaduais e municipais.

Apesar dessa queda, o IBGE ressalta que a desigualdade no país, embora inferior aos níveis pré-pandemia, ainda é consideravelmente alta.

O estudo evidencia a dupla desigualdade regional da renda no Brasil: enquanto os 40% mais pobres ganham em média R$ 663 mensais por pessoa, as médias regionais são R$ 978 no Sul, R$ 846 no Centro-Oeste, R$ 842 no Sudeste, R$ 449 no Nordeste e R$ 490 no Norte.

Por Unidade da Federação, o Distrito Federal possui a maior disparidade, com relação de 19,7 vezes entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres, seguido pelo Rio de Janeiro (16,4 vezes) e Rio Grande do Norte (16,3 vezes). O estado de São Paulo registra 11,9 vezes, ficando em 12º lugar entre as menores disparidades.

As menores desigualdades foram encontradas no Mato Grosso (9,1 vezes) e em Santa Catarina (8,4 vezes).

Outra medida da desigualdade é o Índice de Gini, que varia de zero a um, sendo maior o valor, maior a desigualdade. Em 2025, o Gini brasileiro foi de 0,511, acima dos 0,504 registrados em 2024. Esse valor é o segundo menor da série histórica iniciada em 2012.

Gustavo Fontes observa que a leve alta do Gini em 2025 não representa uma tendência, afirmando que após melhoria em 2024, houve uma pequena oscilação para cima, mantendo o índice próximo do nível mínimo e com estabilidade.

Além disso, a Pnad indica que o rendimento médio das famílias brasileiras subiu 6,9% em 2025, atingindo recorde. Cerca de 22,7% das famílias, equivalente a 18 milhões de domicílios, receberam algum benefício social do governo federal, estadual ou municipal nesse ano.

Créditos: agenciabrasil.ebc
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