Polarização marca disputa para o Governo do RN entre PT e direita

Política

Polarização marca disputa para o Governo do RN entre PT e direita

Nos bastidores da política do Rio Grande do Norte, cresce a percepção de que a campanha ao Governo do Estado deve se polarizar entre os campos liderados pelo presidente Lula (PT) e pela direita associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Interlocutores políticos indicam que o candidato do PT, Cadu Xavier, pode ampliar seu espaço eleitoral conforme a campanha avança, atraindo parte do eleitorado hoje concentrado em Allyson Bezerra (União Brasil), especialmente nos segmentos de centro e centro-esquerda.

A análise aponta que a nacionalização da disputa tende a reduzir as chances de candidaturas fora desses dois polos, favorecendo uma migração gradual de votos úteis. Caso essa tendência se confirme, analistas esperam que Cadu dispute o segundo turno contra Álvaro Dias (PL).

Por sua vez, Álvaro Dias chega fortalecido por uma ampla coalizão política. Além do apoio do senador Rogério Marinho (PL), líder da direita no Estado, e do senador Styvenson Valentim (Podemos), sua candidatura ganhou novo impulso com a adesão do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB). Essa entrada aumenta significativamente a capilaridade da campanha, incorporando prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e deputados estaduais em quase todas as regiões do Rio Grande do Norte. O PSDB oficializou essa aliança durante as convenções partidárias de julho.

Em um possível segundo turno entre Álvaro e Cadu, a avaliação predominante é que Álvaro, apoiado pelo campo conservador, começaria em posição favorável. O alto índice de desaprovação do governo Fátima Bezerra (PT) tende a influenciar a transferência de votos para o candidato governista. Ainda assim, fatores como o desempenho da economia, a participação das lideranças nacionais na campanha e a capacidade de mobilização das coligações serão decisivos no desfecho da eleição.

O apoio de Ezequiel Ferreira tem um impacto qualitativo, não só quantitativo. Além de agregar tempo de TV e lideranças, facilita a penetração de Álvaro em regiões onde o grupo de Ezequiel exerce influência política forte, como Seridó, Agreste, Trairi e Mato Grande. Isso reduz o isolamento territorial da candidatura de Álvaro e amplia sua articulação municipal.

Alguns cenários importantes a serem observados durante a campanha são: a polarização nacional, a possibilidade de crescimento de Cadu, a resistência de Allyson à pressão do voto útil e, principalmente, a capilaridade municipal que Álvaro passa a reunir com Ezequiel e seu grupo.

A eleição presidencial também pode ser decisivamente influenciada pelo Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça tornou-se figura chave ao autorizar, a pedido da Polícia Federal, a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", filho do presidente Lula, nas investigações relacionadas a fraudes no INSS.

Qualquer agravamento da situação jurídica de Lulinha, especialmente com medidas cautelares mais severas, poderia gerar forte repercussão política durante a campanha. Em um cenário apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro, este tipo de episódio pode ser explorado pela oposição e alterar o ambiente eleitoral.

No entanto, não significa que uma decisão judicial contra o filho do presidente levaria automaticamente a uma virada de Flávio Bolsonaro, mas acrescentaria um desgaste significativo a Lula justamente em um momento crucial de definição para o eleitorado ainda indeciso.

Assim, o Brasil corre o risco de presenciar mais uma eleição presidencial em que o debate sobre projetos para o País é prejudicado por investigações, decisões judiciais e escândalos, com a esfera policial ocupando espaço maior na política a pouco mais de dois meses do pleito.

Créditos: Tribuna do Norte
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