A construção dos bondinhos aéreos que devem ligar a igreja matriz de Santa Rita de Cássia ao complexo da padroeira de Santa Cruz, no Agreste do Rio Grande do Norte, está parada sem previsão de término, mesmo após mais de uma década desde o início das obras em 2014.
Com uma revisão técnica e administrativa em andamento, a gestão atual identificou diversas pendências mesmo com grande parte da estrutura já adquirida ou instalada. A prefeita Aninha de Cleide relata que, ao assumir, foi realizado um levantamento completo da obra para detectar os ajustes necessários.
Segundo o secretário municipal de obras, Lucas Diego, entre os problemas constatados estão adequações estruturais nas estações de embarque e desembarque, instalação necessária de uma subestação de energia, gerador e sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), além de outras intervenções elétricas essenciais para o funcionamento do teleférico. Também será preciso corrigir o nivelamento da estação superior, cuja base ficou construída acima da cota prevista inicialmente.
Outro obstáculo é a falta do software que opera os bondinhos, já que o contrato anterior foi finalizado. O município encaminhou à Caixa Econômica Federal um processo para avaliação técnica, que, após aprovação, permitirá a abertura de novas licitações para contratar o sistema operacional e realizar as adaptações necessárias.
Durante esse processo, recursos financeiros que estavam bloqueados foram liberados para o uso nas obras, de acordo com a administração. No entanto, não há prazo definido para a entrega desse equipamento tão aguardado.
"Iniciamos a fase de licitação, mas ainda não temos uma previsão. Respeitamos todas as etapas previstas na administração pública e estamos preparados para avançar", comenta o secretário.
O projeto prevê um trajeto suspenso de cerca de um quilômetro, com vista panorâmica, ligando dois pontos religiosos relevantes da cidade. Desde 2014, as obras enfrentaram paralisações devido a contingenciamentos e limitações financeiras.
Em 2018, a chegada dos equipamentos vindos da Suíça foi celebrada como um avanço, e nos últimos anos houve instalação das torres de sustentação e fixação das cabines, consolidando a estrutura do teleférico.
Quando estiver em operação, o teleférico percorrerá aproximadamente 960 metros até o santuário que abriga a maior estátua católica do mundo, facilitando o deslocamento dos visitantes e representando um potencial impulso para o turismo e a economia local. Antes disso, a prioridade é finalizar as etapas técnicas e de segurança para garantir a operação adequada do sistema.
Créditos: Tribuna do Norte