Morre Manoel Carlos, renomado escritor e produtor de novelas, aos 92 anos

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Morre Manoel Carlos, renomado escritor e produtor de novelas, aos 92 anos

Manoel Carlos, escritor, produtor e diretor de TV, faleceu nesta terça-feira aos 92 anos. A confirmação foi dada pela produtora Boa Palavra, conduzida pela atriz e filha do autor, Júlia Almeida.

A causa do falecimento ainda não foi divulgada. O velório será restrito a familiares e amigos próximos.

Conhecido como Maneco, ele enfrentava há anos a doença de Parkinson, condição que inclusive retratou em sua última novela "Em Família" (2014), por meio do personagem interpretado por Paulo José.

Na época do encerramento da novela, a audiência foi a menor já registrada para o horário, com média de 30 pontos. Maneco chegou a refletir sobre possíveis erros em seu trabalho e atribuiu a mudança de tempos e a forma como as pessoas expressam seus sentimentos hoje em dia.

Ele era reconhecido por seus longos e ricos diálogos, apreciados por atores e fãs. Maneco fez parte do seleto grupo de novelistas brasileiros em um período em que a TV aberta era a principal forma de entretenimento doméstico.

Um traço marcante em sua obra foi a forte presença da protagonista feminina chamada Helena, que viveu em nove novelas entre 1981 e 2014, sempre situada no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro. Atrizes renomadas como Lilian Lemmertz, Regina Duarte, Maitê Proença, Vera Fischer e Taís Araújo deram vida às diferentes versões dessas personagens.

Maneco justificava a frequência do nome Helena pelo fascínio pela mitológica Helena de Troia, conferindo às suas heroínas autonomia e força. Além das protagonistas, as antagonistas marcavam presença, interpretadas por atrizes como Lilia Cabral, Vivianne Pasmanter, Susana Vieira e Marieta Severo.

Ele afirmava que gostava de escrever sobre mulheres porque eram mais expressivas e confessavam seus sentimentos, ao contrário dos homens, que tendem a ocultar suas emoções.

Suas novelas também abordavam civilidade nas relações familiares complexas, como a convivência pacífica entre ex-cônjuges e novos parceiros. Essa característica era tão marcante que o convívio entre ex e atual relacionamentos é muitas vezes comparado a suas histórias.

Além das novelas, Maneco iniciou sua carreira na TV como ator amador na TV Tupi de São Paulo e foi roteirista e adaptador numa época em que a televisão brasileira ainda era jovem. Trabalhou em programas icônicos como "Família Trapo" e musicais, e em 1970 mudou-se para a Globo, onde dirigiu o Fantástico e assinou inúmeras novelas de sucesso.

Durante sua trajetória, escreveu 16 novelas e diversas séries, minisséries e folhetins, como "Malu Mulher", "Presença de Anita" e "Maysa".

Manoel Carlos também enfrentou perdas pessoais profundas: teve três filhos que faleceram, sendo Ricardo, vítima de HIV em 1988; Manoel Carlos Júnior, que morreu em 2012 de ataque cardíaco; e Pedro, falecido súbita e prematuramente.

O autor era casado três vezes e manteve um relacionamento com a ex-deputada Cidinha Campos. Era pai das atrizes Júlia Almeida e Maria Carolina, esta última colaboradora como roteirista em suas produções.