A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou, na quarta-feira (7.jan.2026), que presenciou o ex-presidente Jair Bolsonaro, 70 anos, em sofrimento intenso durante atendimento no hospital DF Star, em Brasília. Segundo ela, Bolsonaro chegou a pedir para morrer devido à dor.
"Eu vi ele pedindo para Deus levá-lo, porque ele não aguentava mais a dor", declarou a jornalistas em frente ao hospital, onde ele realizou exames após queda ocorrida na terça-feira (6.jan), dentro da cela na Superintendência da Polícia Federal.
Michelle disse que não foi possível precisar o horário do acidente. Segundo ela, Bolsonaro estava confuso e com dificuldade de falar, situação agravada pelo uso de medicações fortes que o deixam sonolento.
Ela contou que o ex-presidente não se recordava se a queda ocorreu à noite ou madrugada. "Ele não conseguia falar, ele não se lembrava", afirmou. Um degrau entre o quarto e o banheiro da cela pode ter contribuído para o acidente.
De acordo com Michelle, Bolsonaro convive com dores constantes desde cirurgias realizadas nos últimos anos. "Ele já ligou esse modo de sobrevivência", explicando que o marido aprendeu a lidar com a dor para seguir vivendo.
Michelle afirmou também que Bolsonaro evita pedir ajuda e não gosta de incomodar, o que pode ter atrasado o socorro.
A ex-primeira-dama destacou que ele já passou por 9 cirurgias, tem comorbidades e apresenta episódios frequentes de tontura. Em casa, ela o acompanha de perto por medo de quedas: "Em casa, eu fico sempre ao lado dele. Quando ele levanta, eu já estou ao lado dele porque eu tenho medo dele cair".
O quarto é aberto às 8h para a primeira medicação do dia, mas o atendimento no hospital teria ocorrido cerca de 40 minutos depois.
Michelle também criticou não ter podido acompanhar os exames e mencionou que tiveram apenas 30 minutos de contato no dia da queda, o limite permitido.
Ela defendeu a prisão domiciliar para Bolsonaro, afirmando querer cuidar dele e alegando que não há razão para que ele permaneça preso, dada sua condição de saúde. Segundo ela, o ex-presidente precisa de acompanhamento médico e psicológico contínuo e não deveria estar numa solitária com 70 anos e vários problemas de saúde.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro, afirmou que houve demora "inaceitável" no atendimento médico após a queda na cela da Polícia Federal. "Imagina se acontece novamente e há esse atraso no atendimento de forma inacreditável, 24 horas depois. Inaceitável", declarou.
O ex-presidente foi avaliado após bater a cabeça na queda na madrugada de terça-feira (6.jan).
A autorização para a saída temporária da prisão para atendimento foi dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A defesa solicitou vários exames.
O cardiologista Brasil Caiado, que integra a equipe médica de Bolsonaro, afirmou que o ex-presidente sofreu traumatismo craniano leve. Segundo ele, Bolsonaro caiu ao tentar caminhar na sala onde está preso.
"Inicialmente pensamos que fosse uma queda da cama, mas depois, ao conversar com ele, percebemos que a contusão foi do lado direito, o que sugere que caiu ao tentar caminhar", explicou Caiado. Também informou que Bolsonaro apresentou pequeno déficit de memória após o episódio.
Os exames mostraram traumatismo craniano leve, com lesão em partes moles da região temporal e frontal direita, sem lesões intracerebrais. O médico informou que essa lesão não é preocupante.