Médico explica traumatismo craniano leve de Bolsonaro após queda

Saúde

Médico explica traumatismo craniano leve de Bolsonaro após queda

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi diagnosticado com traumatismo craniano leve depois de uma queda ocorrida durante a madrugada na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Informações divulgadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro indicam que ele teria batido a cabeça em um móvel dentro da cela.

O traumatismo craniano, ou traumatismo cranioencefálico (TCE), ocorre quando um impacto ou movimento brusco do crânio afeta o cérebro. Segundo o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, esta é uma causa comum de atendimento emergencial em serviços médicos.

"O traumatismo craniano pode variar desde quadros leves, que melhoram apenas com observação, até casos graves e potencialmente fatais. A gravidade depende não apenas da força do impacto, mas também das características do paciente e da resposta do corpo ao trauma", explica o especialista.

A classificação mais comum do TCE considera o nível de consciência avaliado pela Escala de Coma de Glasgow, além dos sintomas clínicos e dos resultados de exames de imagem. No traumatismo leve, a pontuação varia entre 13 e 15, podendo apresentar dor de cabeça, tontura, náuseas, confusão mental breve ou amnésia do momento da queda.

"Embora a maioria dos pacientes evolua bem, esse tipo de traumatismo não deve ser subestimado", alerta o Dr. Victor Hugo Espíndola. "Alguns pacientes podem desenvolver complicações tardias mesmo após um período inicial sem sintomas relevantes."

O neurocirurgião destaca que tomografias de crânio costumam ser normais em casos leves, mas isso não elimina completamente o risco. Por isso, a observação clínica é indispensável, principalmente nas primeiras 24 a 48 horas após o trauma.

Sintomas que requerem reavaliação imediata incluem dor de cabeça intensa ou progressiva, vômitos repetidos, sonolência excessiva, confusão mental, alterações na fala ou visão, fraqueza nos membros e convulsões. "Esses sinais podem indicar sangramentos intracranianos que nem sempre são detectados imediatamente. Às vezes, o paciente fica horas ou dias aparentemente bem antes de apresentar piora neurológica."