Manifestantes no Irã relatam corpos em hospital após repressão em Teerã

Segurança

Manifestantes no Irã relatam corpos em hospital após repressão em Teerã

Nos últimos dias, vários iranianos que participaram dos protestos em Teerã relataram à CNN as cenas presenciadas, incluindo grandes multidões, esperança, violência intensa e dezenas de corpos.

Uma mulher de aproximadamente 65 anos e um homem de 70 contaram que na quinta (8) e sexta-feira (9) observaram pessoas de todas as idades nas ruas da capital.

Na noite seguinte, entretanto, as forças de segurança armadas com fuzis militares mataram "muitas pessoas", conforme relataram.

Outros manifestantes de uma área distinta de Teerã disseram ter auxiliado um homem de cerca de 65 anos gravemente ferido durante a repressão, que apresentava cerca de 40 balas de borracha nas pernas e um braço quebrado.

Eles tentaram levá-lo para atendimento médico em vários hospitais, mas enfrentaram um cenário "totalmente caótico". Uma mulher descreveu ter visto "corpos empilhados uns sobre os outros" no hospital.

Manifestantes também relataram que o número de pessoas nas ruas não tinha precedentes e descreveram as cenas como "incrivelmente belas e esperançosas".

Um discurso televisionado do líder supremo aiatolá Ali Khamenei na noite anterior mudou esse clima, e a repressão ficou muito mais violenta, conforme informado.

"Infelizmente, talvez precisemos aceitar que este regime não será derrotado sem intervenção externa", comentou um manifestante.

Segundo a agência HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos EUA, pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas em todo o país durante as manifestações contra o regime atual.

No sábado (10), a Guarda Revolucionária do Irã declarou que proteger a segurança é uma "linha vermelha" e os militares prometeram defender propriedades públicas, enquanto o governo reforça esforços para conter os protestos mais amplos dos últimos anos.

Essas declarações vieram após um alerta do presidente dos EUA, Donald Trump, na sexta-feira (9), e após o secretário de Estado americano Marco Rubio afirmar no sábado o apoio dos Estados Unidos ao povo iraniano.

Os protestos continuaram durante a noite, e a mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, atribuindo o ato a "manifestantes violentos".

A TV estatal exibiu funerais de membros das forças de segurança supostamente mortos durante protestos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.

Os protestos, que começaram há duas semanas motivados pela alta inflação, espalharam-se por grande parte do Irã e rapidamente assumiram caráter político, com manifestantes exigindo o fim do regime islâmico.

As autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de instigar os distúrbios, enquanto organizações de direitos humanos já documentaram dezenas de mortes entre manifestantes.