Três pessoas investigadas por um esquema criminoso na 1ª Vara Regional de Execução Penal passaram a ser rés no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). A denúncia inclui a ex-servidora terceirizada Mayara Pereira Silva, o apenado Israel de Andrade Maciel e o advogado Evandson Domingos Gomes.
A investigação revelou a infiltração de uma organização criminosa no sistema judiciário do RN para favorecer membros da facção Sindicato do Crime. O esquema envolvia a atuação da ex-servidora, a intermediação de um apenado apontado como liderança e a disponibilização de credenciais pelo advogado.
Mayara Pereira Silva trabalhava como assessora jurídica no gabinete e tinha acesso ao Sistema Eletrônico de Execução Unificado, por meio do qual alterava movimentações processuais e elaborava minutas de decisões. Ela realizou intervenções manuais para direcionar o processo de execução penal do seu companheiro para um juiz substituto durante as férias do titular, o que resultou na progressão de regime e remoção da tornozeleira eletrônica do detento.
Além do processo de seu companheiro, a ex-servidora confeccionou petições para outros detentos da facção, consultou prontuários do sistema prisional e repassou informações sigilosas obtidas em função do cargo.
Mayara responde por organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro.
Israel de Andrade Maciel, apontado como líder da facção, teria cooptado Mayara para atuar na vara de execução penal em benefício do grupo criminoso. Ele organizava o esquema oferecendo facilidades judiciais a outros presos, além de comandar comércio de drogas e negociar armas. Responde pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de fogo.
No processo, há indicações de que ele usava contas bancárias de terceiros para lavar dinheiro do tráfico e participava das decisões financeiras e estratégicas do grupo.
O advogado Evandson Domingos Gomes facilitava o esquema ao ceder seu certificado digital para que Mayara fizesse peticionamentos judiciais de casa. Além disso, usava seu acesso a unidades prisionais para ser mensageiro entre líderes presos e integrantes livres da organização. Transmitia ordens, planilhas contábeis e recebia pagamentos em dinheiro e entorpecentes.
Evandson é acusado de organização criminosa, corrupção passiva e ativa, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de fogo.
Durante a Operação Entre Dois Mundos em dezembro de 2025, foram apreendidos celulares, notebook, certificado digital do advogado, dinheiro, arma de fogo e munições. O Ministério Público do RN informou que não encontrou indícios de envolvimento de outros servidores ou autoridades do Tribunal de Justiça nas práticas criminosas atribuídas à ex-servidora.
Créditos: Tribuna do Norte