Um estudo do Mapbiomas divulgado em 13 de maio de 2026 revelou que as porções isoladas de vegetação nativa no Brasil aumentaram de 2,7 milhões, em 1986, para 7,1 milhões em 2023, crescendo 260% em 38 anos. Esse crescimento evidencia o efeito do desmatamento, que transformou grandes áreas contínuas de cobertura vegetal em pequenos fragmentos.
Os dados, coletados pelo Módulo de Degradação do MapBiomas, uma plataforma que analisa e monitora o uso e transformação da terra no país, demonstram pela primeira vez a análise detalhada da fragmentação da vegetação nativa. Além do aumento em quantidade, houve a redução no tamanho médio dos fragmentos, que passou de 241 hectares em 1986 para 77 hectares em 2023.
Conforme Dhemerson Conciani, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e coordenador do módulo, a diminuição do tamanho dos fragmentos traz riscos como extinção local de espécies, redução da recolonização entre fragmentos vizinhos e aumento do efeito de borda, que causa perda das características naturais nas margens dessas áreas.
Quase 5% da vegetação nativa do país, equivalente a 26,7 milhões de hectares, está em fragmentos menores que 250 hectares. A Mata Atlântica é o bioma com maior presença dessas pequenas porções isoladas, que representam quase 28% da sua vegetação remanescente, correspondendo a 10 milhões de hectares.
Em termos absolutos, a Mata Atlântica e o Cerrado têm o maior número de fragmentos, com 2,7 milhões cada. Natalia Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas, explica que o aumento da fragmentação nesses biomas ocorre por razões distintas: no Cerrado, o aumento está ligado ao desmatamento e à divisão dos remanescentes em áreas menores; na Mata Atlântica, também há um crescimento devido ao surgimento de áreas de recuperação da vegetação secundária.
Outros biomas também apresentam números relevantes de fragmentos em 2023: Amazônia (662 mil), Caatinga (600 mil), Pampa (324 mil) e Pantanal (45 mil). Pantanal e Amazônia sofreram as maiores taxas de fragmentação, com aumentos de 350% e 332%, respectivamente. Pampa e Cerrado tiveram aumentos de 285% e 172%. Caatinga e Mata Atlântica registraram aumentos menores, de 90% e 68%, respectivamente.
A Amazônia também se destacou pela redução média no tamanho dos fragmentos: de 2.727 hectares em 1986 para 492 hectares em 2023, uma queda de 82%. O Módulo de Degradação ainda identificou distúrbios no dossel florestal na Amazônia Legal entre 1988 e 2024, atingindo 24,9 milhões de hectares, ou 7% da cobertura florestal. Esses distúrbios incluem secas, ventos, incêndios, corte seletivo e efeitos de borda.
O corte seletivo de madeira é apontado como uma das principais causas desses distúrbios, com 9,7 milhões de hectares identificados com sinais desse impacto durante o período estudado.
Embora fragmentação, efeito de borda, fogo e corte seletivo nem sempre exponham o solo, eles degradam os biomas. Segundo o estudo, 24% da vegetação nativa remanescente no Brasil, que equivale a 134 milhões de hectares, está sujeita a pelo menos um desses vetores de degradação.
Dhemerson Conciani ressalta que compreender melhor esses dados é essencial para a criação de políticas públicas eficazes que visem à redução das emissões de gases de efeito estufa causadas pelo desmatamento e pela degradação. Ele destaca que identificar a degradação precocemente possibilita reverter esse processo e definir áreas prioritárias para a recuperação da vegetação nativa, preservando os serviços ambientais dos ecossistemas.
Créditos: Agencia Brasil