Entenda o linfoma de Hodgkin, câncer que levou à morte da influenciadora Isabel Veloso

Saúde

Entenda o linfoma de Hodgkin, câncer que levou à morte da influenciadora Isabel Veloso

O linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, uma rede de vasos e gânglios que desempenham papel fundamental na defesa do organismo. Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em adultos jovens e em pessoas com mais de 60 anos.

O câncer geralmente inicia com ínguas indolores nas regiões do pescoço, axilas ou virilha, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. A confirmação do linfoma é realizada por meio de biópsia do linfonodo, seguida por exames para avaliar a extensão da doença.

O tratamento principal é a quimioterapia, que apresenta altas taxas de cura quando iniciada ainda nas fases iniciais da doença.

A influenciadora Isabel Veloso, de 19 anos, faleceu em decorrência de linfoma de Hodgkin. A informação foi confirmada pelo marido, Lucas Borbas, em redes sociais no dia 10 de janeiro de 2026.

O linfoma de Hodgkin surge a partir de células do sistema imunológico e pode manifestar sintomas iniciais discretos, como o aparecimento de ínguas sem dor. Por afetar estruturas distribuídas por todo o corpo, a doença pode evoluir silenciosamente em seus primeiros estágios, o que dificulta o diagnóstico rápido. Isabel identificou nódulos no pescoço e no tórax.

O sistema linfático inclui vasos, linfonodos e órgãos como baço e timo, e tem funções essenciais na produção e circulação das células de defesa, além de manter o equilíbrio dos fluidos corporais.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o linfoma de Hodgkin ocorre quando células do sistema linfático sofrem alterações e passam a se multiplicar descontroladamente, formando tumores especialmente nos linfonodos.

Uma característica marcante do linfoma de Hodgkin é a presença das células de Reed-Sternberg, linfócitos alterados que se multiplicam de forma anormal. A identificação dessas células pela biópsia é essencial para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento adequado.

Esse tumor é formado principalmente por outras células do sistema imunológico que também se comportam de forma desordenada.

A doença apresenta dois picos de incidência: em adultos jovens e em pessoas acima dos 60 anos.

Não há um fator de risco único para o linfoma de Hodgkin. Em alguns casos, há associação com alterações do sistema imunológico, histórico familiar ou infecções virais como o vírus Epstein-Barr. Porém, em muitos pacientes, não é possível identificar uma causa clara.

O sintoma mais comum é o aumento dos linfonodos, observado como caroços indolores no pescoço, axilas ou virilha. Sintomas menos frequentes incluem coceira persistente sem lesões aparentes na pele.

Devido à ausência de dor, os caroços podem ser ignorados, confundidos com infecções passageiras. Com o avanço da doença, outros sintomas podem surgir, como febre, sudorese noturna e perda de peso, que persistem por semanas e indicam a necessidade de investigação médica.

O diagnóstico é confirmado pela biópsia do linfonodo suspeito, que consiste na remoção parcial ou total do gânglio para análise laboratorial.

A Organização Mundial da Saúde classifica o linfoma de Hodgkin em dois grandes grupos.

Após o diagnóstico, exames de imagem determinam a extensão da doença (estadiamento), fundamental para planejar o tratamento.

Até as décadas de 1960 e 1970, o linfoma de Hodgkin era considerado incurável. Esse cenário mudou com o desenvolvimento da poliquimioterapia, que combina diferentes medicamentos e melhorou significativamente os resultados.

Hoje, a quimioterapia, sozinha ou combinada com radioterapia, permanece a base do tratamento. Os avanços recentes buscam aperfeiçoar resultados já bons, com ganhos incrementais.

Quando o câncer não responde ao tratamento inicial ou retorna após a remissão, outras opções incluem anticorpos monoclonais, quimioterapia em altas doses seguida de transplante de medula óssea e, em casos específicos, terapias celulares como a CAR-T cell.

Esta última utiliza células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório para atacar o câncer, sendo indicada geralmente para casos refratários ou recorrentes e aplicada em centros especializados.

Efeitos colaterais do tratamento podem incluir queda de cabelo, náuseas, fadiga e maior risco de infecções, normalmente temporários e monitorados pela equipe médica.

O linfoma de Hodgkin é um dos cânceres com maiores taxas de cura, especialmente quando identificado e tratado precocemente. Muitos pacientes atingem remissão completa com a terapia inicial, seguida de acompanhamento para monitorar recidivas e efeitos tardios.

Apesar de sintomas semelhantes, os linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin possuem comportamentos clínicos distintos. No Hodgkin, a progressão costuma ser mais previsível, o que facilita o planejamento do tratamento. Já os linfomas não-Hodgkin são mais diversos, podendo evoluir de forma agressiva ou lenta, atingir órgãos fora do sistema linfático e demandar tratamentos variados.

A análise do tipo celular na biópsia é crucial para definir o diagnóstico preciso, o prognóstico e o protocolo terapêutico, sendo o reconhecimento entre Hodgkin e não-Hodgkin um passo fundamental no cuidado ao paciente.