Desafios da burocracia travam obras essenciais na saúde pública do RN

Política

Desafios da burocracia travam obras essenciais na saúde pública do RN

Uma reportagem recente evidenciou os problemas enfrentados pela administração pública, destacando como um emaranhado de leis, regulamentos, decretos, portarias e burocracias impede a conclusão de obras e ações que deveriam beneficiar a população.

Um exemplo é a necessidade de intervenção judicial para obrigar o Governo do Estado do Rio Grande do Norte a retomar a reforma do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Walfredo Gurgel. A obra, orçada em apenas R$ 1,28 milhão, iniciou-se há dois anos com prazo previsto de três meses para execução, mas segue inacabada, comprometendo pela metade a capacidade do único centro especializado do estado.

Nenhum governo se beneficia politicamente com hospitais inacabados ou reformas paralisadas. A situação resulta, na verdade, de falhas no planejamento, que provocam licitações mal conduzidas, rescisões contratuais por dificuldades financeiras das empresas ou desequilíbrios econômicos, conflitos judiciais e anos consumidos em processos legais e burocráticos.

O atraso no Centro de Queimados do Walfredo Gurgel não é um caso isolado. A reforma do Pronto-Socorro Clóvis Sarinho, também no hospital, exigiu mediação da Justiça Federal para impedir a perda de recursos federais, com conclusão prevista para outubro de 2027, mais de uma década após o contrato de repasse.

Em Mossoró, o Hospital Regional Tarcísio Maia passou por paralisações motivadas por problemas em contratos com empresas, exigindo intervenção judicial para continuidade das obras. Já o Hospital Metropolitano, incluído no PAC federal, enfrentou anos de impugnações, revisões e disputas administrativas antes de seu início.

Controle rigoroso é fundamental para preservar os recursos públicos, aprendizados duramente obtidos ao longo dos anos no país. Contudo, na saúde pública, o peso da burocracia é contado em filas, sofrimento e até mortes.

Existem medidas legítimas e legais que conciliam controle e agilidade, como aprimorar o planejamento das licitações, prever cláusulas contratuais para retomada de obras, garantir o equilíbrio econômico-financeiro, empoderar equipes decisórias, aplicar instrumentos emergenciais e promover acordos e conciliações judiciais cedo entre Executivo, órgãos de controle e Judiciário.

Exigir eficiência administrativa significa adotar iniciativas e ferramentas práticas para que os recursos públicos não fiquem paralisados e as obras cumpram seu objetivo de servir à população.

Créditos: Tribuna do Norte
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