No dia 24 de março de 2026, a deputada estadual Cristiane Dantas (SDD) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte para expressar sua indignação sobre um caso que voltou a repercutir no estado. Ela defendeu alterações na legislação para tratar com mais rigor situações envolvendo agentes de segurança acusados de crimes graves.
Durante seu pronunciamento, a deputada lembrou o caso da jovem Zaira Cruz, morta em 2019, cujo autor, Pedro Inácio, foi julgado e preso. No entanto, ele obteve progressão para o regime semiaberto e, segundo a parlamentar, também foi promovido na Polícia Militar, com a manutenção do salário, fato que ela considerou inaceitável.
"Isso não apenas nos choca, mas revolta toda a sociedade. Não é admissível que alguém condenado por um crime tão brutal possa ser beneficiado com progressão e ainda receber promoção dentro da corporação", afirmou Cristiane Dantas.
Ela defendeu a revisão da legislação para impedir que policiais acusados ou condenados por crimes dessa natureza sejam promovidos enquanto ainda estiverem em julgamento. "É fundamental que a legislação seja revista para suspender esse tipo de direito. Não podemos permitir que pessoas nessa condição avancem na carreira como se nada tivesse acontecido", destacou.
A deputada também ampliou o debate, citando outros casos recentes de violência envolvendo agentes de segurança em diferentes estados do país. Mencionou um episódio ocorrido em fevereiro em São Paulo, em que uma policial foi encontrada morta com um tiro na cabeça, inicialmente tratado como suicídio, e outro no Espírito Santo, onde uma mulher foi assassinada pelo companheiro, policial federal.
Para Cristiane Dantas, esses casos revelam um problema estrutural que precisa ser enfrentado com maior rigor. "São mulheres com sonhos, carreiras, filhos e famílias que estão perdendo a vida para aqueles que deveriam protegê-las. Até quando vamos continuar assistindo a esse tipo de notícia?", questionou.
Por fim, ela ressaltou a necessidade de ampliar o debate sobre violência de gênero dentro das corporações policiais e defendeu ações constantes de conscientização e mudança cultural. "É preciso discutir cada vez mais esse tema, inclusive dentro das forças de segurança, para que esses homens parem de cometer esse tipo de crime. É uma mudança cultural urgente e necessária", concluiu.
Créditos: Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte