Um vídeo viral nas redes sociais mostra homens simulando agressões físicas contra mulheres em reação a um término de relacionamento. Essa tendência se popularizou em meio ao debate sobre o aumento da violência contra mulheres no Brasil.
A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) utilizou suas redes para alertar sobre o problema e denunciou o caso ao Ministério Público. Ela criticou a falta de regulamentação das redes sociais no país, que permite a propagação desses vídeos sob o pretexto de liberdade e brincadeira. Segundo Duda, a situação é grave e justifica a investigação dessas publicações.
Para a deputada, conteúdos como esses reforçam a necessidade urgente de regulamentar as redes sociais e apoiar seu projeto de lei que torna crime a misoginia coordenada e coletiva praticada online.
A advogada criminalista Pamela Villar destaca que publicações desse tipo podem configurar crime. Ela explica que se alguém agredir uma mulher motivado por esse tipo de conteúdo, tanto o agressor quanto o produtor do vídeo podem ser responsabilizados criminalmente, com penas elevadas dependendo do número de casos.
A palavra misoginia significa ódio contra mulheres, sentimento que tem se difundido em comunidades online da chamada "machosfera". Esses grupos, que incluem movimentos como "red pills" e "incels", promovem discursos de ódio e atitudes agressivas contra mulheres, alegando que os homens são oprimidos pela sociedade.
Em resposta ao aumento desses discursos, setores sociais defendem que a misoginia seja tipificada como crime. Em outubro do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou um projeto que prevê pena de duas a cinco anos de prisão para tais atos.
Porém, a responsabilização das plataformas digitais permanece complexa. Atualmente, somente vídeos relacionados a crimes sexuais devem ser retirados imediatamente após notificação da vítima, e mesmo assim a responsabilização das empresas é pouco provável, segundo Pamela Villar, pois essa imposição legal é uma possibilidade remota e difícil de comprovar.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que o Brasil registra uma média de quatro feminicídios por dia, totalizando 1.547 casos em 2025. Desde 2015, esses números vêm crescendo anualmente.
Só em janeiro de 2026, ocorreram 131 feminicídios, um aumento de quase 5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O mesmo mês contabilizou cerca de 5.200 estupros, uma média de 168 por dia.
Casos de violência contra mulheres devem ser denunciados pelo número Ligue 180.
A reportagem e entrevistas relacionadas abordam o crescimento da misoginia e seus impactos entre jovens, reforçando a necessidade de atenção ao tema.
Créditos: Agência Brasil