O Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou hoje a abertura de uma sindicância para investigar a suposta falta de assistência médica ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após ele sofrer uma queda.
O CFM designou que o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal apure os fatos. O órgão federal informou ter recebido denúncias formais que expressam preocupação quanto à garantia de atendimento médico adequado ao ex-presidente. Em nota, destacou que declarações públicas a respeito de intercorrências clínicas causam extrema apreensão na sociedade brasileira.
O CFM ressaltou que a saúde do ex-presidente requer monitoramento contínuo e imediato. O órgão afirmou que é necessário assegurar assistência médica com múltiplas especialidades pelo Estado, inclusive em situações de urgência e emergência.
Seguindo o que determina a lei e o Código de Processo Ético-Profissional, o CFM determinou que o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal instaure imediatamente a sindicância para apurar os fatos.
O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, que já apoiou Bolsonaro publicamente, foi mencionado. Em 2018, quando ocupava cargo no Conselho Regional de Medicina de Rondônia, ele divulgou artigo comemorando a vitória do ex-presidente. Durante a pandemia de covid-19, Gallo defendeu Bolsonaro, afirmando que não se deve atribuir a ele toda a culpa pela crise e que seu governo trabalhou para aumentar a oferta de leitos de internação e UTIs.
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) afirmou ter acionado o CFM. Ela esteve no hospital esta manhã e declarou ter procurado o órgão para tratar da saúde de Bolsonaro, que sofreu um traumatismo cranioencefálico leve após a queda.
Bolsonaro realizou exames hoje. Com autorização do ministro Alexandre de Moraes, o ex-presidente deixou a superintendência da Polícia Federal para ir ao hospital DF Star nesta manhã.
Na véspera, o ministro disse que não havia necessidade imediata da ida ao hospital, solicitando mais informações antes de autorizar a transferência. A equipe médica indicou que Bolsonaro deveria fazer tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma do crânio.
Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, e outros apoiadores reclamaram da demora do ministro em autorizar o atendimento hospitalar. Michelle criticou a Polícia Federal, acusando atraso no socorro, e defendeu atendimento domiciliar para o ex-presidente.
Apurações indicam que Bolsonaro não acionou protocolo de emergência ao se ferir e permaneceu no quarto, sem alertar ninguém, mesmo existindo um procedimento para casos de risco à saúde.
O acompanhamento médico do ex-presidente segue sendo monitorado pelas autoridades competentes para garantir atendimento adequado.