O jornalista Cassiano Arruda Câmara, conhecido pela coluna Roda Vida na Tribuna do Norte, tem mais de 60 anos dedicados ao jornalismo e, aos 82 anos, está se lançando em um novo projeto nas plataformas digitais. Seu trabalho reunirá comentários diários, entrevistas em podcast e transmissões simultâneas via rádio, YouTube e redes sociais.
Ele destaca que esta iniciativa não é uma despedida, mas uma forma de continuar ativo em um setor que mudou muito com a internet, mantendo os princípios que orientaram sua carreira desde os anos 1960. "Sou um homem de 82 anos e sinto que devo continuar participando", afirma.
Com apoio da agência ART&C Comunicação, onde é sócio junto ao seu filho, o projeto está em fase de lançamento para ainda este mês, começando com comentários diários de cerca de cinco minutos em quatro rádios, incluindo a CBN Natal, e no YouTube. Posteriormente, será lançado o programa semanal de entrevistas no formato podcast.
Cassiano vê a iniciativa como uma forma de levar jornalismo profissional para os espaços digitais, destacando que as redes sociais, apesar de sua força, não representam jornalismo. Ele ainda considera que os fundamentos do jornalismo permanecem inalterados, independentemente da plataforma.
O foco da produção será o cotidiano político e eleitoral do Rio Grande do Norte neste ano, baseado na sua vasta experiência em coberturas locais. Ele pretende realizar uma cobertura fiel à sua visão e experiência, preservando um acervo importante que acumulou ao longo da carreira.
A independência editorial é prioridade para ele, mesmo que haja necessidade de buscar patrocinadores. Ressalta que jamais venderá sua opinião e manterá limites claros entre jornalismo e publicidade, algo que sempre respeitou durante sua carreira, incluindo o afastamento do jornalismo ao atuar como marqueteiro político.
Apesar dos desafios das novas linguagens digitais, Cassiano aposta no espaço para o jornalismo profissional e quer agregar mais uma plataforma ao seu trabalho.
Sua trajetória está ligada à evolução do jornalismo potiguar, desde sua formação na primeira turma de Jornalismo do estado, em 1963, até a direção da Tribuna do Norte e do Novo Jornal, veículo que considerou importante e cujos arquivos foram doados à UFRN para estudo acadêmico.
Ele também atuou como professor de Comunicação Publicitária por 29 anos e vê nos ex-alunos que atuam em redações locais um motivo para continuar produzindo conteúdo. A entrada no digital é, para ele, uma continuidade da carreira, apesar do pouco conhecimento técnico nas novas plataformas.
O objetivo não é competir com grandes veículos, mas seguir informando por meio de jornalismo de imagem, entrevistas e comentários, mantendo sua trajetória e patrimônio intelectual vivos.
Créditos: Tribuna do Norte