O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicou à Argentina na quinta-feira (8.jan.2026) a decisão de deixar de administrar a embaixada argentina em Caracas, Venezuela. Na sexta-feira (9.jan), a gestão da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, foi informada sobre essa mudança.
Diplomatas ouvidos pelo Poder360 confirmaram a decisão e destacaram que cuidar dos interesses de outros países é uma tarefa complicada.
O Brasil estava responsável pela representação da sede diplomática argentina desde 1º de agosto de 2024, quando Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) expulsou o corpo diplomático argentino liderado por Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) e de outras seis nações da América Latina. Durante esse período, o governo brasileiro tratava desde problemas como falta de energia elétrica até pedidos de extradição.
Os argentinos solicitaram que a Itália assumisse a representação diplomática na Venezuela. O governo italiano aceitou, e o Brasil fará a transferência da administração para Roma na próxima quinta-feira (15.jan).
Segundo apurado pelo Poder360, influenciaram na decisão as recentes manifestações de Milei nas redes sociais. Em dezembro de 2025, o presidente argentino compartilhou um mapa da América do Sul que retratava o Brasil como uma favela. Em janeiro, comemorou o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela e publicou um vídeo crítico a Maduro, finalizando com uma imagem do venezuelano abraçado com Lula.
Apesar disso, a diplomacia brasileira avalia que a decisão não prejudica a relação com o país vizinho, que continua sendo considerada importante.