Brasil deixa custódia da embaixada argentina na Venezuela após divergências políticas

Política

Brasil deixa custódia da embaixada argentina na Venezuela após divergências políticas

O governo brasileiro decidiu encerrar a custódia da Embaixada da Argentina na Venezuela devido a divergências com o governo argentino sobre a situação venezuelana. A medida aconteceu após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por uma operação militar dos Estados Unidos, ação que foi apoiada por Javier Milei, presidente argentino, mas condenada pelo presidente Lula.

A Itália deverá assumir a representação diplomática da Argentina na Venezuela. Durante o período em que esteve responsável pela embaixada, o Brasil defendeu seis opositores venezuelanos que colaboravam com María Corina Machado e estavam abrigados na missão diplomática. Também buscou a libertação de Nahuel Gallo, militar argentino preso na Venezuela desde dezembro de 2024.

O governo de Lula informou oficialmente à Argentina e à gestão interina venezuelana de Delcy Rodríguez sobre essa decisão. O Brasil assumiu a representação da Argentina em agosto de 2024, a pedido de Javier Milei, após Nicolás Maduro expulsar os diplomatas argentinos do país.

Fontes do Itamaraty confirmaram a decisão brasileira, que ocorre em um contexto de divergências relacionadas à operação militar dos EUA que capturou Maduro. O governo brasileiro condenou essa ação e articula com países da região a defesa da autodeterminação e soberania nacional, enquanto o presidente argentino apoiou a operação.

O jornal argentino La Nación relatou que o Brasil comunicou formalmente sua decisão na sexta-feira, no mesmo dia em que o Conselho Europeu aprovou avanços no acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Segundo o La Nación, a Itália, hoje governada por Georgia Meloni, assumirá o papel do Brasil na embaixada de Caracas.

Uma das razões apontadas para o descontentamento brasileiro foi a publicação nas redes sociais feita por Javier Milei, que elogiou a ação militar norte-americana na Venezuela, associando imagens do presidente Lula com Maduro, fato que gerou indignação no Itamaraty.

No entanto, interlocutores internos afirmaram que o Brasil considerou ter cumprido sua missão e que, diante da atual conjuntura venezuelana, outros países poderiam representar os interesses argentinos.

Durante a custódia brasileira, seis opositores venezuelanos que participaram da campanha presidencial contra Maduro receberam asilo na embaixada argentina. Esses opositores foram acusados pelo regime de Maduro de ações violentas, terrorismo e desestabilização. Eles deixaram a Venezuela rumo aos Estados Unidos em maio de 2025.

O Brasil também atuou para obter a libertação de Nahuel Gallo, militar argentino preso acusado de atividades terroristas pelo regime venezuelano, embora ele ainda permaneça detido. A expectativa é que ele seja libertado após anúncio feito por Jorge Rodríguez sobre a possível libertação de presos políticos no país.